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Anderson Silva
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Por que a Groelândia é importânte para Donald Trump

Publicado em: 23/01/2026 às 15:24

Última atualização: 23/01/2026 às 15:24

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EUA intensificam esforços para garantir controle da maior ilha do mundo e bloquear o avanço militar da Rússia e a influência econômica da China.

A posição estratégica da Groenlândia tornou-se vital para a segurança nacional dos Estados Unidos. Entre o monitoramento de mísseis e o acesso a terras raras, a ilha é hoje o ponto central de uma disputa que envolve soberania, rotas comerciais e o controle do futuro energético global.


A vasta extensão gelada da Groenlândia, outrora vista como uma fronteira remota e periférica, emergiu como o epicentro de uma nova e complexa disputa geopolítica global. No cenário atual, a maior ilha do mundo não é apenas um território de importância geográfica, mas uma peça fundamental na estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos para conter as ambições crescentes da Rússia e da China na região do Ártico. Este interesse renovado não é meramente especulativo; reflete uma mudança profunda nas dinâmicas de poder e na acessibilidade de recursos naturais e rotas marítimas.

Reprodução O Jornal da Verdade

Para o governo dos Estados Unidos, a influência direta sobre a Groenlândia é vista como uma necessidade imperativa. A posição geográfica da ilha permite o controle e a vigilância de rotas aéreas e de mísseis que representam o caminho mais curto entre a Eurásia e a América do Norte. Especialistas em defesa apontam que sensores e radares instalados em solo groenlandês oferecem uma vantagem crítica de alerta antecipado, permitindo a detecção de ameaças muito antes que elas alcancem o espaço aéreo continental americano ou europeu. Atualmente, a Base Espacial de Pituffik (anteriormente conhecida como Thule) serve como o único posto militar oficial dos EUA na ilha.

Reprodução Google Earth

A Rota do Mar do Norte (NSR, na sigla em inglês) é uma via marítima estratégica que se estende ao longo da costa ártica da Rússia, ligando o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico.

Diferente das rotas terrestres, esta é uma via navegável que atravessa águas geladas, sendo vital para o transporte e redução do tempo de viagem entre a Europa e a Ásia. À medida que o Ártico aquece em uma velocidade duas vezes maior que o restante do planeta, as imensas calotas polares, que antes agiam como uma muralha natural, estão recuando. Onde antes havia gelo perene, agora surgem águas azuis profundas, revelando o caminho para os gigantes de aço. Para a Rússia, o degelo não é apenas uma facilidade de navegação; é a redescoberta de seu quintal. Com o controle desta rota, o Kremlin detém as chaves de um “atalho” que economiza semanas de viagem. Enquanto o resto do mundo vê com preocupação o fim das geleiras, Moscou enxerga a abertura de uma artéria comercial onde ela dita as regras, cobra o pedágio e garante a segurança com uma presença militar que nenhuma outra nação consegue igualar no Ártico.

Rota do Mar do Norte – Reprodução |  Foto: rosatomflot.r

A Rússia, tem militarizado o Ártico de forma sistemática. Moscou revitalizou dezenas de instalações militares da era soviética e estabeleceu uma presença que inclui bases permanentes, radares de última geração e uma frota de quebra-gelos nucleares que supera amplamente a capacidade ocidental. Para o Kremlin, o Ártico é tanto um bastião de defesa quanto um corredor econômico vital, especialmente através da Rota do Mar do Norte.

 

A China, embora geograficamente distante, declarou-se um “Estado próximo ao Ártico” e tem investido pesado na infraestrutura da região através da sua iniciativa “Rota da Seda Polar”. O interesse chinês é movido pela busca por minerais críticos e terras raras, essenciais para a fabricação de semicondutores e tecnologias de energia limpa, recursos que a Groenlândia possui em abundância. Se Pequim conseguir consolidar sua influência econômica na ilha por meio de investimentos em mineração, os EUA temem que isso possa se traduzir em influência política em uma zona historicamente sob influência da OTAN.

Rota da Seda Polar – Reprodução: China Dialogue Ocean

Além da segurança, o fator econômico é decisivo. O degelo acelerado das calotas polares está abrindo novas passagens comerciais, como a Passagem do Noroeste. Essas rotas prometem reduzir drasticamente o tempo de navegação entre a Europa e a Ásia, funcionando como uma alternativa estratégica aos canais de Suez e Panamá. O controle da Groenlândia, portanto, significa ter uma posição privilegiada na gestão dessas novas “autoestradas” globais e no acesso a depósitos submarinos de petróleo e gás inexplorados.

O brigadeiro-general canadense Daniel Riviere, comandante da Força-Tarefa Conjunta Norte, demonstra a proximidade entre o Ártico canadense e outras nações do norte em Yellowknife, Territórios do Noroeste, Canadá, em 23 de janeiro de 2025. A área representa 40% do território canadense e 75% de seu litoral. Ottawa acaba de anunciar um aumento de sua presença militar e diplomática para reforçar sua reivindicação sobre a região. É essencial que o Canadá aja agora, porque “a Passagem do Noroeste se tornará uma artéria principal do comércio”, disse Riviere. | Foto: Sebastien St-Jean/AFP – Getty Images.

A diplomacia americana tem intensificado as conversas com as autoridades dinamarquesas e groenlandesas, explorando modelos de cooperação que variam desde pactos de livre associação até investimentos massivos em mineração para reduzir a dependência da China. O desafio central permanece no equilíbrio entre a soberania da Groenlândia e a urgência estratégica de Washington, em um momento em que o Ártico deixou de ser um deserto de gelo para se tornar o tabuleiro de xadrez mais vigiado do século XXI.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursando em um comício na Desert Diamond Arena em Glendale, Arizona, em 23 de agosto de 2024. | Foto: Gage Skidmore – Wikimedia.

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